Deu certo. O treinador italiano Carlo Ancelotti tinha um plano, desenhado nos detalhes desde que assumiu a seleção, há pouco mais de um ano. Ao vencer a seleção do Japão por 2 a 1, de virada, em atuação mais do que convincente no segundo tempo, Ancelotti pela primeira vez repetiu o mesmo time em relação à partida anterior. É sinal de organização, de um plano tático que cresceu em campo. Na ponta do lápis: o técnico tem 16 jogos com o Brasil, em dez vitórias, três empates e três derrotas. E houve em Houston uma daquelas reviravoltas que só o futebol oferece: Casemiro, que foi vilão a herói, apagado na primeira etapa e salvador no segundo tempo ao marcar o gol que encaminharia a virada.
Há, tudo somado, apesar da partida tímida, uma excelente notícia que brota do estádio climatizado de Houston, no Texas. A canarinho vem crescendo, ganhando corpo. Empatou em 1 a 1 com o Marrocos, venceu Haiti e Escócia por 3 a 0. Eliminou a boa equipe do Japão, em segundo tempo de gente grande – e agora é que a Copa começa de verdade. Há um belo caminho pela frente, a medir pelas evidentes qualidades da disputa desta segunda-feira, 29 de junho.
Já no início, deu-se a história da partida. Os 10 primeiros minutos do Brasil, sem que o Japão tenha atravessado o meio de campo – ainda que sem nenhuma chance clara de gol. A estatística não deixava dúvida: 68% de posse de bola brasileira, quatro chutes a gol contra apenas um do adversário. Aos 12 minutos, com um chute rasteiro, Matheus Cunha quase fez o dele. O Japão parecia acuado, com medo. Uma ou outra escapada, mas quase nada, como se fosse uma disputa de ataque contra defesa. Mas o futebol, ah, o futebol, esporte que contraria a estatística.
Na volta da parada para hidratação – que muda o ritmo e autoriza novas estratégias –, o Japão abriu o placar, 1 a 0, gol de Kaishu Sano, ao bater rasteiro no canto direito de Alisson. Danilo errou o passe e Casemiro, já com cartão amarelo, se fizesse a falta seria expulso. Na retomada, só deu Brasil, mas com força insuficiente – e falta de criatividade, inclusive de Vinicius Jr., para superar uma defesa muito bem organizada. E o meio de campo japonês, com Ueda, Ito e Maeda controlava o ritmo, como faziam os brasileiros em décadas passadas. E ficou evidente a falta que faz volantes e armadores que pensem, organizem, saiam distribuindo a bola.
